Capital reduz dívida, amplia investimentos e prepara ciclo de obras e modernização dos serviços públicos
A Prefeitura de Goiânia encerrou 2025 com superávit financeiro de R$ 1,2 bilhão, o maior já registrado pelo município. O resultado marca uma virada após a decretação de calamidade financeira e o enfrentamento de dívidas acumuladas pela gestão anterior.
O desempenho superou as expectativas iniciais da própria equipe econômica, que trabalhava com projeção de resultado inferior. A diferença abriu espaço para reduzir passivos, quitar compromissos antigos e reorganizar a estrutura de gastos da administração. “A projeção inicial da equipe econômica, em janeiro de 2025, era alcançar superávit de aproximadamente R$ 900 milhões, e superamos a meta”, explica o prefeito Sandro Mabel.
Além do superávit financeiro, a capital fechou o ano com superávit orçamentário de R$ 583,1 milhões. Em 2024, o município havia registrado déficit de R$ 389 milhões, quando as despesas ultrapassaram as receitas. O conjunto de indicadores mostra que Goiânia conseguiu, ao mesmo tempo, gastar menos do que arrecadou e diminuir o volume total de dívidas.
Segundo Sandro Mabel, a dívida municipal caiu de cerca de R$ 900 milhões para R$ 750 milhões ao longo do ano. Parte do superávit foi direcionada justamente para esse abatimento. “Nós fizemos um superávit de R$ 1,2 bilhão e, paralelamente, reduzimos a dívida em aproximadamente R$ 200 milhões. Quitamos precatórios atrasados e despesas deixadas pela gestão anterior, que poderiam ter sido convertidas em saldo financeiro, mas precisavam ser pagas”, ressalta.
O controle rigoroso das despesas foi determinante para alcançar o resultado. Os valores empenhados e liquidados ficaram abaixo do que estava inicialmente previsto no orçamento. A Prefeitura priorizou a quitação de compromissos antigos, evitando que obrigações acumuladas continuassem pressionando o caixa nos exercícios seguintes.
Para a gestão, esse movimento abre caminho para um novo momento administrativo. O foco agora é avançar em investimentos sem repetir erros do passado. “Agora é o momento de investir, sem perder o controle e com planejamento. Vamos manter a rédea curta”, afirma o prefeito.
Para 2026, aproximadamente 30% do orçamento municipal já está contingenciado. A medida busca garantir margem de segurança diante de oscilações de receita e definir prioridades com maior precisão.
Reuniões periódicas com todas as secretarias vêm sendo realizadas para revisar contratos, cortar excessos e planejar investimentos de médio prazo.
A arrecadação também ganhou atenção especial da equipe econômica, com ações voltadas ao combate à sonegação e ao cruzamento de dados fiscais. “A arrecadação é decisiva. Estamos trabalhando forte na área fiscal, combatendo a sonegação e cruzando informações com a Receita Federal e a Receita Estadual”, afirma Sandro Mabel.
O objetivo é ampliar receitas próprias sem aumentar impostos, fortalecendo a capacidade de investimento do município.
Na área da educação, Goiânia aplicou 25,8% da receita em 2025, percentual acima do mínimo constitucional. O volume de investimentos se aproximou de R$ 400 milhões. Somente em repasses diretos às unidades escolares, foram mais de R$ 220 milhões ao longo do ano.
Os recursos financiaram reformas estruturais, modernização de salas de aula com lousas digitais e renovação de mobiliário. Também houve pagamento de bônus aos profissionais da educação, instalação de aparelhos de ar condicionado, melhorias na merenda e adequações de espaços escolares.
A administração municipal avalia que os investimentos impactam diretamente na permanência dos alunos e na qualidade do ensino.
Mesmo diante das restrições herdadas, a Prefeitura ampliou os recursos destinados à saúde em 2025. O percentual aplicado alcançou 21,55% do orçamento, acima do mínimo constitucional de 15%. Os valores foram direcionados à ampliação da rede, ao atendimento pediátrico 24 horas e à compra de medicamentos e insumos.
A gestão afirma que esse esforço ajudou a reverter o cenário de desabastecimento registrado até o fim de 2024 em diversas unidades da capital. Com recursos do superávit financeiro, emendas parlamentares e repasses federais, o município dará início a um plano de modernização da rede.
Para 2026, está prevista a construção de três Unidades de Pronto Atendimento, dentro de um planejamento que prevê oito UPAs ao longo dos próximos três anos.
Também estão programadas reformas em unidades básicas, ampliação da capacidade de resolução dos postos e instalação de equipamentos para exames como ultrassom e análises laboratoriais. “A saúde é prioridade total neste e nos próximos anos”, enfatiza Sandro Mabel.
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