Geração Z e a aposentadoria

Geração Z e a aposentadoria

A Geração Z, aquela nascida no período entre 1997 e 2012, entrou no mercado de trabalho já sob regras previdenciárias mais duras. A reforma de 2019 mudou profundamente o sistema, instituiu idade mínima obrigatória, ampliou o tempo de contribuição e reduziu o valor proporcional dos benefícios. Como será o futuro para quem começa agora a vida profissional?

Diferentemente de seus pais e avós, os jovens de hoje precisam planejar a aposentadoria desde o primeiro vínculo de trabalho. Sem contribuições regulares, a chance de alcançar uma aposentadoria minimamente satisfatória diminui drasticamente. Esse cenário se agrava porque o Brasil envelhece rapidamente. Há cada vez mais idosos recebendo benefícios e menos pessoas na ativa contribuindo, o que pressiona um sistema já fragilizado.

Outro efeito colateral desse modelo é a migração silenciosa do sistema contributivo para o assistencial. À medida que cresce o número de trabalhadores que não conseguem cumprir os requisitos mínimos para se aposentar, aumenta também a demanda por benefícios como o BPC. Isso transfere o peso da proteção social para o orçamento público, sem que haja contrapartida contributiva, tornando o sistema ainda mais tensionado a médio e longo prazos.

O avanço da informalidade e dos modelos flexíveis de trabalho amplia esse problema. Freelancers, trabalhadores por aplicativo e autônomos muitas vezes ficam fora da Previdência, seja por desconhecimento, seja pela dificuldade de manter contribuições mensais. Cada período sem recolhimento abre um vazio no histórico contributivo e reduz a proteção social. Sem contribuição, não há aposentadoria, nem cobertura em casos de doença, invalidez ou maternidade.

Diante disso, é fundamental que a Geração Z passe a enxergar a Previdência como um seguro. Contribuir, mesmo com valores baixos, já garante direitos importantes e constrói alguma segurança para o futuro. Revisar vínculos, acompanhar o CNIS e, quando possível, combinar o INSS com previdência privada ou investimentos de longo prazo são atitudes cada vez mais necessárias.

Mas a responsabilidade não pode recair apenas sobre os jovens. O Estado precisa agir. Facilitar a contribuição de informais, investir em educação previdenciária e estimular a formalização do trabalho são medidas urgentes. Além disso, é preciso enfrentar uma distorção histórica: a inadimplência de grandes devedores da Previdência. Empresas, bancos, prefeituras e clubes de futebol acumulam bilhões em dívidas com o INSS e frequentemente são beneficiados por anistias e parcelamentos generosos. Combater essa impunidade é questão de justiça e de sustentabilidade.

Se nada mudar, o futuro aponta para aposentadorias cada vez mais tardias e restritas, com aumento da dependência de benefícios assistenciais. Para a Geração Z, ignorar a Previdência hoje é correr o risco de não ter proteção amanhã. O momento de se proteger é agora.

Por Jefferson Maleski, advogado especialista em Direito Previdenciário
@maleskiadvogado

Leia Mais Sobre

Copyright © 2025 // Todos os direitos reservados.