Desempenho foi impulsionado por ciclo pecuário, câmbio favorável e forte demanda internacional
O Brasil encerrou 2025 com o maior resultado da história nas exportações de carne bovina, impulsionado por uma combinação de oferta elevada, indústria operando em ritmo máximo e mercados internacionais aquecidos. Ao longo do ano, o país embarcou 3,853 milhões de toneladas, alcançando uma receita de US$ 18,365 bilhões, com crescimento de 40% em valor e 20,7% em volume.
O avanço não se explica por um único motivo. Especialistas apontam que fatores produtivos e econômicos atuaram de forma simultânea, criando um ambiente favorável para a expansão das vendas externas. O ciclo pecuário, ainda em fase de baixa, teve papel determinante nesse cenário.
Segundo o consultor financeiro e zootecnista Fabiano Tavares, a expectativa de mudança no ciclo não se confirmou. “Havia a expectativa de que o ciclo começasse a mudar já em 2025, com maior retenção de fêmeas, mas isso não aconteceu. Mesmo com alguma reação nos preços, o produtor precisou fazer caixa, o que elevou de forma significativa a presença de fêmeas no abate”, explica.
Com esse movimento, a disponibilidade de animais para a indústria permaneceu elevada durante praticamente todo o ano, favorecendo escalas longas e estabilidade nos custos de aquisição.
Em anos de preços firmes, a participação de fêmeas no abate costuma variar entre 13% e 25%. Em 2025, porém, esse índice alcançou níveis entre 40% e 50%, caracterizando um típico momento de ciclo de baixa.
“Com uma oferta maior de fêmeas, o preço do boi e da vaca tende a ter menos pressão de alta. Isso manteve o custo de compra em níveis compatíveis com a operação industrial”, afirma Fabiano.
Além da matéria-prima abundante, o câmbio favorável ampliou a competitividade da carne brasileira no exterior. Com isso, frigoríficos trabalharam com margens estimadas entre 18% e 25% ao longo do ano.
O ambiente estimulou uma estratégia agressiva de produção. Unidades operaram próximas da capacidade máxima, com ampliação de turnos e aumento consistente dos abates desde abril de 2024.
“As empresas sabiam que esse cenário não é permanente. Com a mudança do ciclo prevista para 2026 ou 2027, a oferta tende a cair e as margens a se ajustar. Por isso, houve uma antecipação de resultados, com aumento consistente dos abates desde abril de 2024”, destaca.
No comércio internacional, a Ásia manteve protagonismo absoluto. A China respondeu por cerca de 1,6 milhão de toneladas embarcadas em 2025, permanecendo como principal destino da carne bovina brasileira.
Os Estados Unidos retomaram ritmo de compras após ajustes tarifários, enquanto México e países do Oriente Médio ampliaram participação nas importações. Já a União Europeia continuou com presença restrita, influenciada por exigências sanitárias rigorosas e barreiras comerciais.
Para Fabiano Tavares, o desempenho reflete a capacidade do setor de reagir rapidamente às oportunidades globais. “O crescimento das exportações em 2025 está diretamente ligado à capacidade do setor de aproveitar janelas de mercado, combinando oferta elevada, indústria operando em alta intensidade e demanda internacional consistente”, resume.
O cenário para os próximos anos aponta para uma reorganização natural, acompanhando a virada do ciclo pecuário e a necessidade de ampliar a presença brasileira em mercados com maior exigência regulatória.
A diversificação de destinos e investimentos em rastreabilidade, sustentabilidade e sanidade devem ganhar protagonismo na estratégia das empresas, em um ambiente onde oferta e margens tendem a se ajustar gradualmente.
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