Tripla jornada limita expansão de negócios liderados por mulheres em Goiás
O avanço do empreendedorismo feminino em Goiás tem ampliado a participação das mulheres no mundo dos negócios, mas também trouxe à tona um obstáculo persistente: a dificuldade de equilibrar empresa, responsabilidades domésticas e cuidados familiares.
Esse cenário, conhecido como tripla jornada, impacta diretamente a saúde mental das empreendedoras e reduz o potencial de crescimento de seus negócios. Na prática, muitas profissionais acabam presas às demandas operacionais, sem espaço para planejamento estratégico.
“Na prática, muitas empreendedoras acabam concentrando todas as funções do negócio — da gestão financeira às vendas e à execução — enquanto ainda carregam responsabilidades domésticas que nem sempre são reconhecidas como trabalho. Isso gera exaustão, reduz a capacidade de pensar estrategicamente e limita o crescimento do negócio”, explica Elisa Rocha, especialista em gestão estratégica e financeira e criadora da Jornada Aurora.
Dados recentes mostram que 53% das mulheres empreendedoras em Goiás são as principais responsáveis pelo sustento da casa. Essa realidade aumenta a pressão por resultados imediatos e favorece decisões de curto prazo, muitas vezes em detrimento de estratégias de longo prazo.
Além disso, há uma mudança gradual na forma como essas mulheres enxergam o próprio trabalho. Atividades domésticas, antes invisibilizadas, passam a ser reconhecidas como parte da carga de trabalho, especialmente após processos de capacitação e formação em gestão.
Esse contexto revela que o principal entrave ao crescimento não é apenas financeiro. Questões estruturais e comportamentais também exercem forte influência sobre a evolução dos negócios liderados por mulheres.
Segundo Elisa Rocha, o crescimento sem planejamento pode intensificar ainda mais a sobrecarga. Negócios que avançam sem organização tendem a exigir cada vez mais da empreendedora, criando um ciclo difícil de romper.
“Quando o crescimento acontece sem organização estratégica, o negócio começa a consumir a própria empreendedora”, afirma.
A ausência de processos bem definidos e de prioridades claras mantém muitas empresárias presas às tarefas operacionais. Isso compromete tanto a expansão quanto a qualidade de vida.
“Sem estrutura, a empreendedora vira o próprio gargalo do negócio. Ela está em tudo — e isso impede avançar com consistência”, completa.
Diante desse cenário, especialistas apontam que o avanço do empreendedorismo feminino depende de uma transformação mais profunda. Não basta ampliar o acesso ao crédito ou incentivar a abertura de empresas.
É necessário investir em organização estratégica, desenvolvimento emocional e construção de rotinas sustentáveis. A profissionalização da gestão surge como um caminho para reduzir a sobrecarga e permitir que essas mulheres assumam posições mais estratégicas dentro de seus próprios negócios.
Programas de capacitação têm ganhado espaço ao propor justamente essa mudança de mentalidade, ajudando empreendedoras a estruturar processos, definir prioridades e buscar crescimento consistente, sem comprometer a saúde e a qualidade de vida.
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