Goiana construiu empresa de limpeza em Nova York que hoje fatura US$ 2,7 milhões por ano e atende cerca de 1,2 mil clientes
A história da goiana Núbia Gonçalves começou muito longe do cenário empresarial que ela vive hoje nos Estados Unidos. Aos 11 anos, trabalhando em uma casa de família no distrito de Auriverde, em Crixás, no norte de Goiás, ela dava os primeiros passos em uma trajetória que décadas depois a levaria a comandar uma empresa milionária no estado de Nova York.
Hoje, aos 43 anos, Núbia dirige a Pink Cleaning Company, sediada em Albany, capital do estado norte-americano. A empresa atua com limpeza residencial e comercial e registra faturamento anual de US$ 2,7 milhões, valor que ultrapassa R$ 14 milhões no câmbio atual. A estrutura inclui 25 funcionários e uma frota de 13 veículos, que atendem aproximadamente 1,2 mil clientes.
A empresária brasileira chegou aos Estados Unidos em 2007 com apenas uma mala, sem dominar o inglês e levando US$ 700 emprestados pelo irmão. O plano era trabalhar duro para construir uma vida melhor e ajudar os três filhos que ficaram no Brasil.
Para Núbia, a jornada até o empreendedorismo foi guiada por inquietação constante e pela vontade de ir além das limitações que enxergava ao seu redor. “Com coragem, nós podemos empreender em qualquer lugar do mundo”.
Antes de cruzar fronteiras, Núbia acumulou experiências que ajudaram a moldar seu perfil profissional. Depois do primeiro trabalho ainda criança, ela se mudou para Goiânia aos 14 anos, acompanhando a irmã que iria estudar na capital.
Foi na cidade que teve contato inicial com vendas ao trabalhar comercializando livros. A experiência marcou profundamente sua formação. “Eu aprendi muito como vendedora de livros. Tive uma experiência muito bacana, que hoje eu uso no meu business aqui nos Estados Unidos, para vender o meu produto”.
Entre dois e três anos depois, a família se mudou novamente, desta vez para Rubiataba, no interior goiano. Aos 17 anos, Núbia passou a atuar como professora infantil. Na cidade, onde permaneceu até os 22 anos, construiu família e se tornou mãe de três filhos.
Mesmo com estabilidade profissional, ela sentia que algo ainda faltava. A sensação de inconformismo acompanhava a goiana desde jovem. “Eu já me sentia fora da bolha, mas eu não entendia o que era. Sabe aquele inconformismo? Eu tinha desde pequena. Eu queria mais do que aquele lugar poderia me proporcionar”.
No final de 2006, uma ideia inesperada surgiu durante um momento simples da rotina. Enquanto tomava banho, Núbia pensou em mudar completamente o rumo da vida e tentar a sorte nos Estados Unidos, onde um de seus cinco irmãos morava havia três anos.
A decisão foi rápida. “Conversei com todo mundo e, em maio, eu já estava com o meu visto”.
Pouco tempo depois, em julho de 2007, ela desembarcou em Nova York. A bagagem era pequena e incluía um item essencial para enfrentar a nova realidade: um dicionário comprado no aeroporto de Guarulhos. “Eu cheguei com um dicionário que eu comprei em Guarulhos, São Paulo. Dicionário para turista, de palavras básicas”.
Instalada em Albany, Núbia encontrou a primeira oportunidade de trabalho graças a um amigo do irmão que atuava na construção civil. Ele havia trabalhado com limpeza de supermercados durante a madrugada e acreditava que aquela área poderia ser uma boa porta de entrada.
“Esse amigo já havia limpado supermercados à noite. Ele achou que na limpeza eu teria mais conexão (do que com construção)”.
Os primeiros anos nos Estados Unidos foram marcados por uma rotina intensa de trabalho. Núbia chegou a trabalhar sete dias seguidos, muitas vezes em turnos longos que atravessavam a madrugada.
“Eu começava à tarde, 16h, ou à noite, às 20h, e ia até o outro dia, de manhã. Todos os dias. Sem folga”.
Com o tempo, ela passou a realizar faxinas em casas de moradores de Albany após fazer amizade com outra trabalhadora do setor. O cansaço, no entanto, era extremo e o descanso se tornava cada vez mais raro.
Foi durante esse período que percebeu a necessidade de mudar a forma como trabalhava. “Eu lembro de cochilar, de parar no sinal e dormir dentro do carro. Foi aí que eu pensei: ‘Gente, eu não vou mais fazer isso, é uma coisa ou outra'”.
A partir dessa decisão, Núbia concentrou seus esforços nas limpezas residenciais. Para conquistar clientes, começou a distribuir cartões oferecendo seus serviços nas casas da região.
Com o aumento da demanda e a confiança nas próprias habilidades de vendas, ela decidiu transformar os trabalhos pontuais em um negócio estruturado. A partir daí, iniciou um processo de estudo e planejamento para atuar como empresária.
“Eu comecei a estudar mesmo como ser uma empresária, como vender, o que o cliente precisa e o que ele deseja”.
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